O ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna, ressaltou, nesta quarta-feira, a importância de uma nação poder contar com Forças Armadas capacitadas e valorizadas, como forma essencial de proteção da soberania de um país. Durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados, o ministro defendeu a restruturação remuneratória e da carreira militar e ressaltou que a maior preocupação dos comandantes das Forças, atualmente, é com os seus profissionais, e com a necessidade dessas restruturações.

“Se olharmos a comparação salarial entre carreiras de Estado, de nível superior, os militares estão na parte mais baixa, a nossa situação é de defasagem”, alertou o ministro, chamando atenção da Comissão para a necessidade de valorização dos recursos humanos das Forças Armadas.

O ministro apresentou aos deputados um panorama amplo sobre a posição do Brasil no cenário mundial e o que ele chamou de “rearranjo de poderes”, que vem ocorrendo desde o final da Guerra Fria, na década de 90, passando pela questão da globalização, que acelerou processos e trouxe o debate para o plano do “tempo real”, no qual, o que acontece em um local do globo, neste momento, será de conhecimento de todo o planeta quase que instantaneamente.

“Nesse contexto, o Brasil precisa saber o que quer, e quais são seus interesses, para poder melhor se posicionar”, disse. “Nesse mundo globalizado, nada mais passa despercebido”, lembrou o ministro.

Ao falar sobre as fronteiras terrestres, que, segundo ele, “nos unem aos nossos vizinhos”, Silva e Luna ressaltou que o Brasil é o maior país de seu entorno estratégico, não só em extensão territorial, como em PIB e em população.

“A Política Nacional de Defesa diz que as Forças Armadas devem estar ajustadas à estatura político-estratégica do País, considerando, entre outros fatores, dimensão geográfica, capacidade econômica e população existente. Quando pensarmos em Forças Armadas, não podemos desprezar esses três aspectos”, destacou.

Projetos Estratégicos

O ministro Silva e Luna fez uma atualização dos principais projetos estratégicos da Defesa, como o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações (SGDC), informando aos parlamentares que a banda X (militar) do artefato já está em pleno funcionamento, facilitando as comunicações estratégicas das Forças Armadas.

Com relação aos projetos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, o ministro da Defesa chamou atenção para a necessidade de recursos perenes, como forma de o Brasil poder honrar contratos já firmados.

“O orçamento previsível é insuficiente para o adestramento (das tropas) e para os projetos estratégicos. É preciso definir o que é estratégico para o futuro, e o que é prioritário para os dias de hoje. Se deixarmos nos levar somente pela emergência, vamos ficar apenas investindo nos dias de hoje, e os projetos de defesa precisam ter uma longa maturação, como os senhores sabem”, afirmou.

Ao final do encontro, os parlamentares da CREDN agradeceram a presença e os esclarecimentos prestados pelo ministro, que voltou a destacar a importância de o Congresso Nacional acompanhar de perto o orçamento da Defesa.

“Nosso orçamento é insuficiente para colocar as nossas Forças Armadas na altura que o Brasil precisa. Abrir mão disso seria o mesmo que abrir mão do Brasil e de seu povo. Não adianta ter Forças Armadas, se elas não estão prontas para serem empregadas”, disse.

O ministro também destacou a importância da troca e do contato permanente entre autoridades que representam a população brasileira. “Não adianta apontar o dedo, cada um ter que fazer o seu papel. Expus aqui as nossas preocupações e, também, recebemos as preocupações de vocês. O meu apelo é para que a gente dê as mãos”, concluiu.

O ministro Silva e Luna compareceu à audiência na CREDN acompanhado dos comandantes da Marinha, almirante Eduardo Leal Ferreira; da Aeronáutica , brigadeiro Nivaldo Rossato; do chefe do Estado Maior-Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), almirante Ademir Sobrinho; e do chefe do Comando de Operações Terrestres (COTER), general Paulo Humberto de Oliveira, representando o comandante do Exército.

Fuente: defesa.gov.br